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    Tá desamarrado, não vai te derrubar

            Hoje me lembrei dum tempo em que não amarrava os cadarços. Lembro com muito gosto da forma quase inocente com que os adultos me olhavam, reconhecendo a mesma desatenção infante que outrora eles mesmos deviam experimentar sem consciência disto, e me avisavam numa doce represália severa entre desconhecidos, um maior que o outro:

             - Olha o cadarço desamarrado! Ele vai te derrubar!...

             Eu, ainda em minha insolência virgem de quase tudo, muito maior que a arrogância sutil que carrego hoje, virava a cara, dava de ombros, tava nem azul pr'ocês.. Era como se eu assumisse a minha leveza diante da transição do meu mundo lúdico infantil para o mundo real dos maiores, nem tão leve assim pois fui um pré-adolescente fofíssimo, em contrapartida à provocação que me fazia naturalmente o peso do mundo adulto, que era o que caía facilmente. Ou melhor: o mundo adulto, para mim, era o que não caía nunca, porque tinha medo de cair. E isto, naquela minha idade, era o pior que havia. Melhor cair e experimentar o gosto da queda, do que não cair e nunca saber como ela pareceria. Melhor mesmo era experimentar o risco, independente do preço a se pagar depois. Depois , seria a velhice.

             Agora, acho, espero, também eu sou um adulto. Mas, embora as enfie com um nó cego para dentro dos sapatos para não deixá-los soltos, ainda não amarro as cordas de fiapo. Já quase não uso all star, antes pé ante pé de todo dia. Tampouco uso mais aparelho corretivo nos dentes chupando pirulito, lolito que quase fui um dia mas nunca de fato quis ser. A idade da razão estaria chegando para mim?

              Talvez... Mas pelo menos nem a gravata nem as cuecas me apertam certas partes vitais. Não as uso.



    Escrito por Matheus Alamedas às 2:15:31 PM
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