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    Palavras Sorteadas


    Magnólia

            Outro dia, enquanto folheava compulsivamente umas revistas que nada transmitem e escutava música insossa na sala de espera de um consultório, me deparei com uma cena surpreendente.

           Uma médica – não me lembro bem qual era sua especialidade – à beira de um colapso nervoso. A secretária, muito envergonhada e resignada por sinal, tinha agendado vários clientes para o mesmo horário. E pelo jeito não era a primeira vez que isto acontecia.

           Alguns clientes que já estavam esperando há um tempão, depois de remexerem-se muito em suas confortáveis poltronas de esperar, começaram a dar sinais de irem-se embora. Muito provavelmente, para nunca mais voltarem.

           A certa altura, a médica, saindo de sua sala, começou a pedir desculpas. Até aí tudo bem. Mas eis que, de repente, começa a chorar e a tremer cada vez mais, a altear a voz e a jogar indiretas para sua secretária incompetente, de tal forma que a situação foge do controle e começa a assustar a todos na sala.

           É sabido que a vida dos médicos é altamente estressante, que as pessoas perfeccionistas sofrem demais, que o cliente tem sempre razão e não deve esperar, e que funcionários incompetentes devem ser substituídos o mais rápido possível.

            Na hora me lembrei de uma cena antológica de um filme tão bacana quanto angustiante do Paul Thomas Anderson, em que a personagem da belíssima e talentosa Julianne Moore dá um show semelhante, provocado por um petulante atendente de uma farmácia.

           Pode parecer meio sádico, mas gosto bastante de presenciar esses momentos desconcertantes que o acaso costuma entregar de brinde. Como espectador, é óbvio. Acho esses momentos de uma sinceridade ímpar. É como se o mundo parasse, neste curto espaço de tempo, e descansasse um pouco de sua rotina entediante. Algo saiu fora dos eixos. Ela é humana. A médica, apesar de ser uma profissional respeitada e bem sucedida, foi abalada pela confusão de sua subordinada que, antes de ser secretária, também é humana porque erra e, errando, provoca o choro da outra. Que bom! Nem todos assimilaram completamente os princípios dos tempos modernos! Alguém ainda erra! Alguém ainda chora!

            São instantes preciosos em que se admite que, apesar de estarmos o tempo todo cercados por máquinas que emitem barulhos contínuos, acuados por toda indústria e todo tipo de decadência que nossa própria raça criou, não conseguimos nos mecanizar a tal ponto de evitarmos um ataque de nervos quando estamos à beira dele, bem como não nos domesticamos ao ponto de sermos funcionários-padrão trezentos e poucos dias por ano. Isto pra mim é extremamente saudável. É preciso ter também um pouco de ócio, é preciso atender ao chamado selvagem! E nessas situações constatamos que não estamos tão distantes assim de nossos ancestrais primitivos. Existimos. Somos falíveis.

             É nesta hora que o entrevistado é confrontado com uma verdade que até então ele não admitia, que o policial perde sua arma, que o menino-prodígio não consegue responder à pergunta que daria a ele o prêmio máximo, e que se interrompe uma discussão com um grito por saber que palavras não vão mudar o que aconteceu. É nesta hora também que o entrevistador, o ocaso, o público estarrecido, o agressor, desta vez agredido, todos, todos eles quase em uníssono, dizem: “Calma! Eu te provoquei! Eu quis te tirar do sério e consegui! Eu precisava fazer isto. Isto tinha que acontecer. Mas é preciso agora que você se acalme! Tudo vai ficar bem!”

             Voz de filósofo existencialista francês, rouco por anos ininterruptos de fumo compulsivo: “Tudo pode se produzir, tudo pode acontecer.” Clarice e tantos outros antes e depois dela: “Viver é absurdo!”

            Já repararam como a previsão do tempo está cada dia menos confiável? Do jeito que as coisas andam, não será nem um pouco surpreendente se, qualquer dia em que esteja previsto sol e umidade baixa, sejamos contemplados com uma belíssima e catastrófica chuva de sapos-bois.

            



    Escrito por Matheus Matheus às 7:55:31 PM
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    Isto é que é criatividade!



    Escrito por Matheus Matheus às 4:44:54 PM
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    Lembra aquele tempo?

    Décadas?

    Um momento...



    Escrito por Matheus Matheus às 3:13:35 PM
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    1º de Julho

    ...aprendiQUANTOensinei...
    Vejo?
    Ninguém sabia
    Ninguém viu
    Não há
    Não quero
    [ah... Insensatez!...]
    Aprendeste?
    Guardei...
    Eu não minto.
    Não penso em me vingar.
    Eu não sou assim.
    A tua insegurança era por mim.
    Nossas horas...
    .coração - compromisso.
    Julgue por sonhar!
    Tente aprender
    o mundo que virá.
    [Amor, meu grande amor...]
    Pequeno grande baby...
    Do ventre nasce:
    Fera.
    Bicho.
    Anjo.
    Mulher.
    Mamãe.
    Filhinha.
    Irmã.
    Minha menina.
    [Menino dela]
    Minha...
    Só minha...
    [De mais ninguém]
    Não de quem quiser
    deuS.
    Deusa.
    Amor.
    Baby...
    Juntos!
    Baby...
    [Há quanto tempo?...]

    Exercício de edição e interrelação sobre 1º de julho, música de Renato Russo para Cássia Eller.



    Escrito por Matheus Matheus às 5:25:52 PM
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    Dia Vigésimo Terceiro

    "Que tipo de diário eu gostaria que o meu fosse? Algo mais solto, mas não desleixado, tão elástico, que possa abrigar qualquer coisa leve ou bela que me venha à cabeça. Quero que ele se pareça com uma velha escrivaninha, um móvel amplo no qual se guardam coisas sem sabermos o que são. Eu gostaria de relê-lo após um ano ou dois e descobrir que a coleção acabou se organizando e se refinando como tais depósitos fazem misteriosamente tornando-se um molde transparente o bastante para refletir a luz da vida e ainda um complexo estável com a indiferença de uma obra de arte."

    [Virginia Woolf]

     

    "O melhor seria anotar os acontecimentos dia a dia. Manter um diário para que estes possam ser percebidos com clareza. Não deixar escapar as nuanças, os pequenos fatos, ainda quando pareçam insignificantes, e sobretudo ordená-los. É preciso que diga como vejo esta mesa, a rua, as pessoas, meu pacote de fumo, já que foi isso o que mudou. É preciso determinar exatamente a extensão e a natureza desta mudança."

    [Jean-Paul Sartre IN La Nausée]

     



    Escrito por Matheus Matheus às 2:22:27 PM
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    Resquícios d'As Palavras Sorteadas



    Escrito por Matheus Matheus às 4:57:02 PM
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    Show em BH da melhor banda do mundo

    Domingo! 15 horas! Praça da Pampulha (igrejinha)

    SET LIST DO SHOW

    (Não necessariamente nesta ordem)

     

    1 - Mamã Papá

    2 - Perdendo Dentes

    3 - 30.000 Pés

    4 - Anormal

    5 - Imperfeito

    6 - Antes Que Seja Tarde

    7 - Eu

    8 -  Canção Pra Você Viver Mais

    9 - 2 Malucos

    10 - Made in Japan / Capetão 66.6 FM

    11 - Um dia, um ladrão

    12 - Ando Meio Desligado

    13 - Gimme 30

    14 - Tudo vai ficar bem

    15 - Sobre o Tempo

    16 - Woo!

    17 - Depois

    18 - Uh Uh Uh Lá Lá Lá ié ié



    Escrito por Matheus Matheus às 3:42:21 PM
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    Indução Poética

         Ultimamente, nos momentos mais inesperados, costumo sacar um certo livro amarelo-mel de minha bolsa e, oferecendo-o como se traficasse algu'a substância ilícita e subversiva ou cafetinasse corpos jovens e gostosos, sugiro: "Toma. Abre em qualquer página e lê o primeiro verso onde teus olhos pousarem, em voz bem alta, como um fanático religioso ora, com sirene na garganta. É pelo desespero e pela surpresa que vivo.

         Escrever é meu ofício, contínuo exercício indispensável que, para mim, só se compara a respirar. Ler é por puro prazer que faço, só assim acho válido. À força de obrigação, jamais.



    Escrito por Matheus Matheus às 2:32:55 PM
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