Difícil
Os meus amigos não devo culpar de nenhuma vez que me abandonarem. Crime nenhum, uma vez que o desprezo em mim é frequente. Sempre tive "este vício de gente difícil", meio amargo e bem dotado d'um glamour certeiro, o qual não estou bem certo de ser totalmente espontâneo. Decerto, não o é. É falso, é mal, é dissimulado. Tantas coisas dizem os que de mim estão próximos, capazes que se acham de saberem melhor quem eu sou do que eu mesmo. Vai ver até têm razão - meu lado externo é mesquinho, cheio dos complexos incomensuráveis de superioridade vs. inferioridade, criador de melindres excêntricos, ricochetes irrealizáveis e chiliques sem motivos. Dissemino caos e discórdia por onde quer que eu passe, mesmo que não seja meu intuito. Não sei se concordo. Nunca estive fora de mim para me ver como sou por fora. E, se o fizesse, de nada valeria - me veria vazio, pois teria saído de mim para me ver por fora. O que pareço é o que sou? Para mim, não. Para os outros, ao que parece, sim. Sobreaviso: quem quiser gostar de mim como pareço ou como sou, talvez eu até aceite como amigo. Talvez mais para menos. Pensando bem, provavelmente, não. Cada vez tenho mais preguiça em aprofundar relações com pessoas. Detesto tanto os bajuladores quanto os cri-críticos. Aos que já são meus amigos, ou aos que simplesmente receberam de mim no passado esta nomenclatura, só espero que honrem o fardo - agridoce legado que nem todos terão a densa serenidade para herdar. texto . matheus matheus, com citação de Marina Lima / Antonio Cícero (entre aspas)
Escrito por Matheus Alamedas às 10:01:31 PM
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Elis com Vida
Um brigadão todo cheio de todo amor que houver nesta vida a todos os queridos amigos que prestigiaram "a nossa linda casinha, tão simplezinha, que dá gosto olhar."
Escrito por Matheus Alamedas às 11:53:19 AM
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A Céu Não É O Limite
Se eu soubesse ser mais paciente, mais feliz, mais expansivo e bem humorado, generoso, espirituoso, empático e simpático, provavelmente eu seria o seu protótipo de pessoa perfeitinha, caberia no seu porta-retrato e iria para o paraíso depois dali. Como se eu acreditasse nisso... Como se eu quisesse ir para lá. Não, não, man! Não acredito no céu. Eu acredito na Céu.
Escrito por Matheus Alamedas às 9:04:21 PM
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Mudança de Estação
Quando Betha declamou Waly ainda era Verão. Quando foi a vez do Pessoa e da Clarice, Outono já tinha chegado. minha resenha para o show Bethania e As Palavras que assisti no Teatro Dom Silvério, dia 20/03/2011
Escrito por Matheus Alamedas às 10:52:00 AM
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Outros Cigarros de Solidão
Um cigarro é uma solidão. Duas pessoas não podem dar o mesmo trago no mesmo cigarro ao mesmo tempo. Cigarros também servem para aproximar pessoas: pede-se um trago ou um cigarro inteiro, aceita-se, nega-se... Enfim. Quem tem cigarro e não dá a quem pede, não tá afim de muita conversa - guarda pra fumar mais tarde impelindo quem pede a sustentar seu próprio vício. Quem fuma até a metade e joga fora ou passa adiante expontâneamente não tem gula nem avidez - é generoso, mas também perde a melhor parte do cigarro, a mais intensa, que é o final. E quem fuma exclusivamente sozinho? Não fuma em lugares públicos para não correr o risco de ser censurado, incomodado, repreendido ou interrompido, para não incomodar não fumantes nem se irritar com aquele gesto superior dos anti-tabagistas de abanar a fumaça ou dar uma tossidinha nervosa. Fumar sozinho: longos tragos espaçados sentindo o sabor ruim, o prazer ruim, do meio amargo, observando a fumaça azular de cinza o ar. O melhor do cigarro é o final - que às vezes queima sozinho no cinzeiro enquanto as mãos estão ocupadas batendo em teclas. texto . matheus matheus nota . Por incrível que pareça, fiz este texto, que é uma sequência de outro, chamado Cem Cigarros de Solidão, antes da Lei antifumo ser discutida e aprovada em quase todo o país. Sempre me indignei com atitudes exclusoras como esta, e também a do cinema norte-americano, de associar a imagem do cigarro aos vilões. Recentemente, encontrei vários motivos para tornar este texto público, uns bons, outros nem tanto, entre eles, um cigarro que me foi pedido por Bartolomeu de Queiroz e uma discussão besta que tive com uma amiga antitabagista.
Escrito por Matheus Alamedas às 4:03:11 PM
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A Um Qualquer Passante, A Um Mero Transeunte, A Um Completo Desconhecido Que Tornará-se-tornou Velho Melhor Amigo
Todas as dicas técnicas e práticas da boa redação, texto dissertativo objetivo bem escrito, resenha entediante do reverso, sinopse vã e falha do ocaso, de nada me valeriam sem algu'a inspiração. Ex-cultura de massas, "livros e o luar contra a cultura", amor, baby blues, "muito azul em torno dele." Dormir nu e de janela aberta para melhor me banhar com a luz da lua quando cheia. Quando não, mirar estrelas feitas só para mim e a treva também há - sentir o vento percorrer o quarto, renovar o ar in cômodo. Minha casa não tem quase nenhuma porta, mas meu coração tem muitas meio inúmeras - quase todas fechadas. Vis - visco do vizir. As janelas, sempre úmidas e desunidas, são meus ohos. Sãos? Escrevo, sou fraco e forte ao mesmo tempo: gosto de dar a minha cara a tapa - sempre o mesmo lado desgastado, não ofereço a outra face. Escrevo de uma forma tão a bico de pena, que o barulho das teclas da minha máquinadeescrever para mim já representa uma certa tecnologia. alusões à . Caetano Veloso . Bob Dylan . Sérgio Britto
Escrito por Matheus Alamedas às 5:59:17 PM
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Ta-hi (Pra você gostar de mim)
Frias são as coisas nas quais eu piso, frio. Coisas que ingiro. Coisas que engulo e depois vomito. De uma forma ou de outra, vou por aí. Tomando, sempre. Ultra-eu? Nunca-tu! Nunca-nós. SuperEU. Superoito. Superoutro. Otto e mezzo. Saio daqui carregado ou vou tropeçando nestas pedras. Vexame ambulante. Avante! Avante! E o horizonte, tal qual meu coração descompassado, cada vez mais vão, cada vez mais distante. Minuano gelando, e eu escutando as pessoas cantando do lado de fora de mim. Às vezes viver, para mim, é como se eu estivesse dentro de um cinema contemplando a tela. Como num filme sem fim. Me distancio e prefiro não participar. Para não atrapalhar a ordem natural da cena. Se alguém for afinado o suficiente para cantar algo que me chame, eu vou e canto junto. Você que não avalisa a possibilidade do que eu tenho a dizer ser mais importante do que você tá dizendo, continue surdo (a) como todos. Eu, continuo insistindo em interromper em voz baixa. Assistir a tudo impassível, distante. Vento gelado que sopra vezenquando a sudoeste. Tudo já foi escrito? Tudo já foi descrito? Devidamente catalogado? Eu tenho mesmo que inventar alguma novidade? Ou destruir as que já foram inventadas?
[Cada parágrafo foi escrito num momento de uma mesma semana que passei em Lavras Novas, e, se desenvolvidos, poderiam originar textos completamente diferentes e talvez muito bons. Como minha paciência ultimamente anda quase tão escassa quanto meu tempo, resolvi publicá-los assim mesmo para esvaziar a memória do celular onde os escrevi.]
Escrito por Matheus Alamedas às 4:32:46 PM
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Para Pessoa Bárbara Altamente Inspiradora
"E, nesses dias tão estranhos, fica a poeira se escondendo pelos cantos", arranhando entre outras coisas, minhas narinas, meus discos e minha escrita, cada vez melhor, cada vez mais rara, cada vez mais mel. Liquida segredos. Ainda que no adiante haja previsão de maca & ressaca homéricas. Hoje, quando a gente se despediu, deu vontade de chorar como há muito eu não chorava. Mas reprimi. Chorinho, eu reprimo porque é limpo, salgado feito mar. Gozo e vômito, não. citação . TV, Legião Urbana
Escrito por Matheus Alamedas às 8:44:07 PM
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Microcontos de Natal
MAIS UM PONTO DE NATAL - Nossa... Desta vez o tombo foi feio, hein() - Minha testa tá sangrando, ai... - É o que acontece quando a gente se corta, querido... - Será que não dá pra improvisar um curativo() Faltam seis minutos para a meia noite... A comida parece estar tão gostosa... - Acho que não. Pode infeccionar. Melhor ir logo pro hospital. Algum tempo depois, assistindo à Missa do Galo pelo televisor da sala de espera: - Ótima idéia sua dar um skate como presente para o nosso filho, querido. PELO TELEFONE - Não precisa de muito. Eu só quero que você esteja aqui. - Mas como vou participar do amigo oculto se não comprei presente e já está em cima da hora() - O presente é sua presença, filhinho... BUMERANGUE - Mas mamãe... Você me deu uma boneca sem braço de presente... - Bem parecida com aquela que você doou ano passado para a campanha de natal do nosso bairro, não acha() VIRTUAL INAUDÍVEL Trabalhar durante o natal não era bom, mas a escala de sua empresa era irreversível. De qualquer forma viria uma folga no reveillon quando poderia estar junto de seus queridos amigos e de sua família, que estavam longe naquele momento. Por hora, com a ajuda de câmeras, mouses e monitores, se aproximariam o suficiente, lá pela meia noite, para trocarem votos de felicidades e boas festas. MULTIPLICANDO O PÃO - Achei um pedaço de pão naquela lata de lixo. Quer a metade() - Claro... Mas tem mais um camarada aqui morrendo de fome... - Então o repartiremos em três partes iguais. E em todos os cantos deste mundo cada vez mais populoso, diálogos casuais e desencontrados se entrecruzam e, mesmo que não seja intencional, eles giram em torno de um mesmo propósito: um sentimento de nascimento diante do inesperado.
Escrito por Matheus Alamedas às 3:50:10 PM
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Tá desamarrado, não vai te derrubar
Hoje me lembrei dum tempo em que não amarrava os cadarços. Lembro com muito gosto da forma quase inocente com que os adultos me olhavam, reconhecendo a mesma desatenção infante que outrora eles mesmos deviam experimentar sem consciência disto, e me avisavam numa doce represália severa entre desconhecidos, um maior que o outro: - Olha o cadarço desamarrado! Ele vai te derrubar!... Eu, ainda em minha insolência virgem de quase tudo, muito maior que a arrogância sutil que carrego hoje, virava a cara, dava de ombros, tava nem azul pr'ocês.. Era como se eu assumisse a minha leveza diante da transição do meu mundo lúdico infantil para o mundo real dos maiores, nem tão leve assim pois fui um pré-adolescente fofíssimo, em contrapartida à provocação que me fazia naturalmente o peso do mundo adulto, que era o que caía facilmente. Ou melhor: o mundo adulto, para mim, era o que não caía nunca, porque tinha medo de cair. E isto, naquela minha idade, era o pior que havia. Melhor cair e experimentar o gosto da queda, do que não cair e nunca saber como ela pareceria. Melhor mesmo era experimentar o risco, independente do preço a se pagar depois. Depois , seria a velhice. Agora, acho, espero, também eu sou um adulto. Mas, embora as enfie com um nó cego para dentro dos sapatos para não deixá-los soltos, ainda não amarro as cordas de fiapo. Já quase não uso all star, antes pé ante pé de todo dia. Tampouco uso mais aparelho corretivo nos dentes chupando pirulito, lolito que quase fui um dia mas nunca de fato quis ser. A idade da razão estaria chegando para mim? Talvez... Mas pelo menos nem a gravata nem as cuecas me apertam certas partes vitais. Não as uso.
Escrito por Matheus Alamedas às 2:15:31 PM
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[Para Tulipa Ruiz]
toda punk boca vermelha canto de sereia lançadora de enleios [Yellowphante Fields Forever] and ever and ever and - haver beat, extra-eu - superoutro links líquens lee let it bed otto e mezzo escrever como quem desenha e pinta que o melhor que há na vida é pintar uma viagem boa de cegonha uma bad trip, leoa aliciada motores dores odores rimas fáceis alheias ao bom senso gosto gesto penso quieto giro sustos gero surtos torro o mágico de araque que derruba por terra a saideira embarco numa
arco em tua canoa que só cada pessoa encena (& é dona) (d)o próprio nariz [concebido numa mesa de bar, com vontade de fumar, à meia luz, na companhia de Heineken e Luana, num show de Érika e Tulipa]
Escrito por Matheus Alamedas às 5:54:00 PM
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Maquinara
Se estava em local público em que se ia para comer, conversar e beber, ainda que rodeado de amigos muito caros, nem sempre se agradava. A música ambiente era uó. Tinha até uma vitrolinha portátil, MPP (Música Portátil Pulsante), mas o volume máximo dos seus fones de ouvido nem sempre era superior ao barulho da música de baixo calão e ao barulho das gentes expansivas que costumam frequentar este tipo de ambiente. O que lhe restaria, então? Escolher muito mais o retiro, o auto-exílio, degustando aquela suculenta solidão que se servia ao recusar duvidosos convites para pseudodiversões supostamente garantidas. Com pantufas, robe e uma caneca com meio litro de chocolate fumegante, ao lado da vitrola de sua avó, cantava alto as músicas de empoeirados LPs, lendo as letras líricas atenciosamente, inspirando-se, divertindo-se descomedidamente discreto.
Escrito por Matheus Alamedas às 1:21:59 PM
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À Milanesa
Meu pezão espraiando-se dentro d'água gelada Logo após, envolvido pela quente terra branca - vulgo areia de água doce. Meu pezinho de bolinho à milanesa.
Escrito por Ornitorrinco Junkie às 5:57:54 PM
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Das Letras
São Thomé dos caminhos desconhecidos das saídas triunfais das trilhas de terra fininha vermelha das trilhas sonoras das pedras dos cachorros de pelo brilhoso das catarses renovadoras dos atendimentos emergenciais dos risos fugazes das gargalhadas que ecoam dos ecos das vassouras das bruxas dos animais curtidos nas cachaças dos beatles dos besouros dos extraterrenos dos intraterrenos dos cavernosos dos leitores de Clarice dos fãs de pós-punk dos hipsters que ainda não chegarão a assistir Hair mas chegarão da cerva da erva da água límpida que passarinho bebe e também da outra água que perde um pouco da sua transparência com mel ou limão ou ambos do vinho seco misturado ao tinto dos seres elementares dos odores das folhas das lendas do turbilhão do torvelhinho do redemoinho do cão de nós que fomos da gente que vai desta canção de coração
Escrito por Ornitorrinco Junkie às 2:49:20 PM
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Das Pedras
O modo como me movo lentamente nas pedras escorregadias é parecido como o modo como me movo na vida, dentro dos universos que frequento. Escorrego sem cair - patinação em gelo áspero. A séria concentração estabanada e delicada a que me proponho. Propósito único: não me deixar quedar. A forma sutil, agressiva, eficaz e não-verbal com que me comunico com a natureza que me interessa, ou seja, a dos homens, não tem palavras. Isto aqui é só distração consciente perto daquilo.
Escrito por Ornitorrinco Junkie às 12:06:07 PM
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Em Oliveiras [Pontue como quiser]
na madruga de cerração quem não fuma concretiza o sonho ideal reprimido de soltar fumaça pela boca
Escrito por Ornitorrinco Junkie às 4:13:28 PM
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hai-kai #24
aos meninos mino mimos clandestinos
Escrito por Ornitorrinco Junkie às 5:08:15 PM
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Pode acreditar [Verso Encruzilhado]
São Thomé Me Chapou Das Letras De Cara
Escrito por Ornitorrinco Junkie às 3:35:35 PM
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Anagrama
Nem sei direito Se partir seria solução Ir e voltar e ir e voltar e ir e ir Tem me deixado exausto Eu queria mesmo era parar dentro dum espaço amplo [Avesso de paletó de madeira] E me mover eternamente etéreo Dentro do tempo templo Desta ilha que desconheço : Eu & os monstros que invento.
Escrito por Ornitorrinco Junkie às 1:48:08 PM
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Na condução
Viver o ocaso com a mesma intensidade da ventura sem se deixar quedar. Não se deixar abalar nem pela alegria, que passa, nem pela tristeza, que também passa. Ter um termo de conduta, e somente conforme ele caminhar, independente da estrada que se resolver escolher à revelia do instante. Ter ritmo, ter passo firme como aperto de mão entre homens. Sem perder, no entanto, a flexibilidade. Andar é balé de improviso, estreia contínua. Entranhar-se no cotidiano sem deixar de flanar, flabelar, reinventando-o continuamente. Reinventar - tarefa obrigatória de ser humano.
Escrito por Ornitorrinco Junkie às 4:10:00 PM
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Poema?
Outra vez Nesta mesinha redonda: Extremo oposto - Antes noite & vodka Agora manhã e & café Agora cabelos molhados & vento frio Limpo meu coração De qualquer Efestião
Escrito por Ornitorrinco Junkie às 4:02:17 PM
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O Terrível
Sou da pá virada Eu sou de amargar Eu sou eu Da cabeça aos pés alusões à Waly Salomão, Luiz Melodia e Roberterasmo
Escrito por Ornitorrinco Junkie às 10:51:11 AM
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O Leite
Ultimamente tenho escrito mais - teta intumescida prestes a amamentar. Fazer é sempre o mais importante. Enunciar o que não pode ser enunciado. Gritar e abrir a boca quando der vontade. Engolir só se o gosto for bom. Mandar ver a todo momento. Não se espelhar em ninguém. Mas beber, que da fonte só brota líquido porque há uma boca que bebe, sorve e bochecha, para depois cuspir. Sem filtro.
Escrito por Ornitorrinco Junkie às 6:46:49 PM
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Ovo do Novo
- E as novidades? - Muito antigas!...
Escrito por Ornitorrinco Junkie às 1:44:53 PM
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mero remo
remo - mero jogo de palavras lavra in útil larva in conserva lata & tala tala & lata vício cível Crível vencível in on voltar ao aprendizado do alfabeto começo do "aqui cremos" início de alfabetização versos não são meras linhas versos são remos que lemos Respeitar as Encruzilhadas! Respeitar as Encruzilhadas! Respeitar as Encruzilhadas!
Escrito por Ornitorrinco Junkie às 1:31:22 PM
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Uivos de Peritas
Outra vez nesta mesinha redonda: extremo oposto - antes noite & vodka; agora manhã e café e cabelos molhados e vento frio. Limpo meu coração de qualquer Efestião.
Escrito por Matheus Matheus às 9:46:32 AM
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Deus Vos Salve Esta Casa Santa [em memória de Torquato Neto e Ana Cristina César]
Caco de vida, cabo do medo. Minha vida: minhas joias preciosas que vão perdendo o valor. Para os outros, somente para os outros. Ares vulgares aprendi a respirar sem, necessariamente, compactuar com a falta de perfume. A postura! Atenção para a postura! O público paga é pelo frescor. Respiro entediado. Billy Elliot transgredido que sou, tento não perder a leveza. Tento praticar o meu ofício sem me preocupar muito bem se algum dia ele funcionará como ganhapão ou não. Mas o mundo às vezes pesa. - Com licença, por favor. Você poderia abaixar só um pouquinho o volume desta tua maldita máquina de escrever? É que está quase na hora dos cães do vizinho uivarem e eu preciso escutar... - Não tem como abaixar o barulho das teclas, não senhora. Mas eu posso parar de escrever. Continuo amanhã, não tem problema. Continuo amanhã. Não vai ser a mesma coisa, mas agora já não faz muita diferença. - Ah... Me desculpe. Com licença, me desculpe. Foi engano... - Agora já não faz muita diferença mais. Eu me desconcentrei de mim mesmo e nem me lembro bem o que tava escrevendo. Minha memória é pouca. Direi cada vez menos. Escreverei cada vez mais. Na medida do impossível - quando der. Quando for conveniente não, porque não escrevo por conveniência. Quero viver, ao invés de sobreviver. Eu: de mãos macias e abraço partido. De viés. Eu: riso torto feito careta e gargalhada boba feito soluço. Gestos irreversíveis. Ternura e paz? Jamais. EXTRA! EXTRA! : Artista completo voou pela janela esquecendo-se que não tinha asas. Não aguentou o peso dos próprios versos e quis dar um rolé pelo ar. Bravo e corajoso! Não fugiu de nada - encarou a janela do apartamento como uma vida toda branca pela frente. Sem nada: descanso tropical. Ninguém percebeu a massa sangrenta esborrachada no chão até o cheiro podre de morte começar a incomodar. Estavam muito ocupados com o resultado do jogo do braZiL. texto . matheus matheus alusões . stephen daldry e pedro almodóvar citações . Non, Je Ne Regrette Rien; Bailarina; Sereníssima; A Teus Pés; Deus Vos Salve Esta Casa Santa [Michel Vaucaire / Matheus Matheus / Renato Russo / Ana Cristina César / Torquato Neto / Caetano Velloso]
Escrito por Matheus Matheus às 4:24:27 PM
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A Palo Seco
Um tango argentino Me vai bem melhor Que um blues. João Cabral: sem música. Belchior: sem pauta. Eu: sem dentes.
Escrito por Matheus Matheus às 12:34:23 PM
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Na Batucada da Vida
De cachaça em cachaça vou vivendo, em meu ritmo cambaleante e disparatado. Pejado de poeira. Da Heineken e do Bukowski nosso de cada dia!
Escrito por Matheus Matheus às 4:11:21 PM
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Quanto menos notoriedade eu tiver, mais liberdade terei para criar. Não quero fama, valeu, muito obrigado pela oferta. Agora, ser lido,aí, já é outra história. Isto quero sim. E muito!
Escrito por Matheus Matheus às 7:36:26 PM
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Tudo
Eu que, além de ser eu, sou meu pai e sou meu filho, e também meu irmão e meu amigo e meu inimigo e aquele que me é desconhecido. Eu que acendo a brasa de um cigarro, fumo até a guimba e apago. Eu que fico dentro de mim a maior parte do tempo mas uma hora saio para um breve passeio. Eu que flutuo: apogeu. Eu que caio: declínio. Eu que só me ganho quando me perco. Eu que levo tombos horríveis mas não me fraturo. Eu que não saio no braço com ninguém mas entro com a palavra abundante e, para muitos, irritante. Eu que me esqueço do todo e me recordo apenas de fragmentos - minha memória aos pedaços, bem como a forma como escrevo. Eu que me despeço chorando porque sei que quando retornar estarei mudado. Eu que tenho o riso bobo parecido com soluço. Eu que quando me emociono faço o possível para que as lágrimas não transbordem - e este esforço é o brilho nos meus olhos. Eu que encaixo minha visão nestas imagens fixas ou móveis, encaixo minha mão na caneta tinteiro e encaixo nestas linhas as palavras. E antes destas frases serem frases foram sentimentos, pensamentos, acontecimentos que vivi, e também sonhos, pesadelos, alucinações que tive. O fácil não interessa - o fácil é falso. Beleza. Terror & beleza. Terror. Eu que nem sempre me encaixo onde deveria, mas que faço o melhor que posso com a minha exuberância de junhos acumulados.
texto . matheus matheus com citação de Sereníssima de Renato Russo
Escrito por Matheus Matheus às 7:21:44 PM
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ulaiê
Uma ventura promissora encobre mil desonestidades miraculosas? Vícios são muletas? Hábitos são determinismos imutáveis? Hábitos apenas crescendo... Como vermes, como pestes... Nas vitrines mais vitrines - em cada credo uma ilusão. Tem gente que não fala a palavra, mas falta de sorte é azar. Ó horizonte reluzente! Ó horizonte nebuloso! Esperar bonança? Ambicionar sucesso? Melhor não... Apenas paz. Um pouco de paz. Com licença, por favor. Me desculpe, deixa eu ir. Vamos lá! Vamos lá! Que o sol esquenta a gente... texto . matheus matheus alusões . john ulhoa
Escrito por Matheus Matheus às 5:11:52 PM
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Deixa, Star
para Antonio Cícero Gosto de ser. Estar nem ligo. Deixa. Ser star nem quero. Obrigado, não. Não tenho vocação para aparecer. Quanto às minhas letras, lavro, à meia luz, inebriado de aspereza e leveza. Ao som da meia voz da tua irmã, que vale por duas cordas vocais: a voz que sai da boca dela, explícita gata implícita; e a sua, através da caixa de som, observando os fios, advinhando naquele emaranhado caótico de eletricidade, um harmônico tecido fino. Comigo, que ouço, três. Menage telepática, via de mão única, bronha sobremáquina. Andar pelas ruas anônimo, vezenquando flertar. Só fazer o que der prazer.
Escrito por Matheus Matheus às 3:54:30 PM
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Sobre O Amparo De Ter Uma Voz Para Ler O Que Escrevo
Para Amparo Chega na hora certa Sempre pontual Hora de linha aberta sim Dar vida a um texto meu não é coisa fácil Cada sílaba bem pronunciada Cada vírgula, ponto e travessão respeitados Nada sendo atropelado Ler em voz alta é respirar o mesmo ar de quem escreveu Ah... se todo mundo me lesse assim Meu munduniverso seria um contínuo fluxofloema Sem palavras para agradecer
Escrito por Matheus Matheus às 2:22:29 PM
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40 Anos da Biblioteca Municipal de Mateus Leme
Em função das comemorações dos 40 Anos da Biblioteca Municipal de Mateus Leme, ocorrerá no dia 10 de Maio, a partir das 18 horas, em frente à Biblioteca, um evento gratuito e aberto à toda a população, com apresentação da Banda Municipal de Mateus Leme, sarau de poesia infantil, exibição de curtas-metragens e performance da poeta Ana F. Também haverá premiação dos vencedores do 1º Concurso de Poesia Infantil e de Curtas-Metragens produzidos pelas escolas locais. Minha colaboração vai em forma de um texto que escrevi em homenagem à escritora local Irene de Melloneves. Em breve, este texto estará por aqui. Ainda dentro das comemorações, haverá durante todo o mês de Maio, durante o horário de funcionamento da biblioteca, a exposição "Raízes da Terra - Literatura & Arte", com textos e livros de escritores de Mateus Leme. Prestigiem!
Escrito por Matheus Matheus às 12:18:40 PM
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Morro Velho [para Ana F., Rodrigo e Leopoldina]
No peito Uma fincada De viola Ao invés De enxada
Escrito por Matheus Matheus às 5:41:04 PM
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Bichinho do Sono
Todo dia, quando anoitecia, Nicolás queria continuar a se divertir. Bom mesmo seria ir para o Japão, onde já era dia mesmo quando noite se fazia. Nicolás era bem ao contrário de sua amiga Lóri, que se pudesse ir para lá seria de manhã, quando Nara ri, para dormir mais um pouquinho bem tranquila. Caso, claro, o recinto tivesse isolamento sonoro. texto . Matheus Matheus com citação de Lulina, Juliângela e Kassim assista a Bichinhos do Sono: http://www.youtube.com/watch?v=GAI60n3wvJY http://www.youtube.com/watch?v=hpZQDhy3h30
Escrito por Matheus Matheus às 2:07:59 PM
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Nos Arco-Íris
Mais uma vez escutando Thom Yorke no crepúsculo. Bebendo nus arco-iris. Iris embebedando-se de horizontes. Tristeza ou melancolia em mini-mins? Segunda opção, desde que eu era curumim. Sagrado pra mim é não me fazer de trouxa. Os outros que achem que me façam. O sagrado em mim: me fazer. Duplo sentido - eu me sou. Eu me fiz precocemente e continuo me fazendo. Isobel, Kika, Pagu, Wilde, Genet e Marinheiro da Lua Crescente soltos dentro da mesma cela. Lua cheia em vão.
Escrito por Matheus Matheus às 5:31:36 PM
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