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    Difícil

            Os meus amigos não devo culpar de nenhuma vez que me abandonarem. Crime nenhum, uma vez que o desprezo em mim é frequente. Sempre tive "este vício de gente difícil", meio amargo e bem dotado d'um glamour certeiro, o qual não estou bem certo de ser totalmente espontâneo. Decerto, não o é. É falso, é mal, é dissimulado. Tantas coisas dizem os que de mim estão próximos, capazes que se acham de saberem melhor quem eu sou do que eu mesmo. Vai ver até têm razão - meu lado externo é mesquinho, cheio dos complexos incomensuráveis de superioridade vs. inferioridade, criador de melindres excêntricos, ricochetes irrealizáveis e chiliques sem motivos. Dissemino caos e discórdia por onde quer que eu passe, mesmo que não seja meu intuito. Não sei se concordo. Nunca estive fora de mim para me ver como sou por fora. E, se o fizesse, de nada valeria - me veria vazio, pois teria saído de mim para me ver por fora. O que pareço é o que sou? Para mim, não. Para os outros, ao que parece, sim. Sobreaviso: quem quiser gostar de mim como pareço ou como sou, talvez eu até aceite como amigo. Talvez mais para menos. Pensando bem, provavelmente, não. Cada vez tenho mais preguiça em aprofundar relações com pessoas. Detesto tanto os bajuladores quanto os cri-críticos. Aos que já são meus amigos, ou aos que simplesmente receberam de mim no passado esta nomenclatura, só espero que honrem o fardo - agridoce legado que nem todos terão a densa serenidade para herdar.


    texto . matheus matheus, com citação de Marina Lima / Antonio Cícero (entre aspas)



    Escrito por Matheus Alamedas às 10:01:31 PM
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    Elis com Vida

            Um brigadão todo cheio de todo amor que houver nesta vida a todos os queridos amigos que prestigiaram "a nossa linda casinha, tão simplezinha, que dá gosto olhar."



    Escrito por Matheus Alamedas às 11:53:19 AM
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    A Céu Não É O Limite

             Se eu soubesse ser mais paciente, mais feliz, mais expansivo e bem humorado, generoso, espirituoso, empático e simpático, provavelmente eu seria o seu protótipo de pessoa perfeitinha, caberia no seu porta-retrato e iria para o paraíso depois dali. Como se eu acreditasse nisso... Como se eu quisesse ir para lá. Não, não, man! Não acredito no céu. Eu acredito na Céu.



    Escrito por Matheus Alamedas às 9:04:21 PM
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    Mudança de Estação

            Quando Betha declamou Waly ainda era Verão.
           Quando foi a vez do Pessoa e da Clarice, Outono já tinha chegado.

    minha resenha para o show Bethania e As Palavras que assisti no Teatro Dom Silvério, dia 20/03/2011



    Escrito por Matheus Alamedas às 10:52:00 AM
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    Outros Cigarros de Solidão

             Um cigarro é uma solidão. Duas pessoas não podem dar o mesmo trago no mesmo cigarro ao mesmo tempo. Cigarros também servem para aproximar pessoas: pede-se um trago ou um cigarro inteiro, aceita-se, nega-se... Enfim. Quem tem cigarro e não dá a quem pede, não tá afim de muita conversa - guarda pra fumar mais tarde impelindo quem pede a sustentar seu próprio vício. Quem fuma até a metade e joga fora ou passa adiante expontâneamente não tem gula nem avidez - é generoso, mas também perde a melhor parte do cigarro, a mais intensa, que é o final. E quem fuma exclusivamente sozinho? Não fuma em lugares públicos para não correr o risco de ser censurado, incomodado, repreendido ou interrompido, para não incomodar não fumantes nem se irritar com aquele gesto superior dos anti-tabagistas de abanar a fumaça ou dar uma tossidinha nervosa. Fumar sozinho: longos tragos espaçados sentindo o sabor ruim, o prazer ruim, do meio amargo, observando a fumaça azular de cinza o ar. O melhor do cigarro é o final - que às vezes queima sozinho no cinzeiro enquanto as mãos estão ocupadas batendo em teclas.

     

    texto . matheus matheus

    nota . Por incrível que pareça, fiz este texto, que é uma sequência de outro, chamado Cem Cigarros de Solidão, antes da Lei antifumo ser discutida e aprovada em quase todo o país. Sempre me indignei com atitudes exclusoras como esta, e também a do cinema norte-americano, de associar a imagem do cigarro aos vilões. Recentemente, encontrei vários motivos para tornar este texto público, uns bons, outros nem tanto, entre eles, um cigarro que me foi pedido por Bartolomeu de Queiroz e uma discussão besta que tive com uma amiga antitabagista.



    Escrito por Matheus Alamedas às 4:03:11 PM
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    A Um Qualquer Passante, A Um Mero Transeunte, A Um Completo Desconhecido Que Tornará-se-tornou Velho Melhor Amigo

             Todas as dicas técnicas e práticas da boa redação, texto dissertativo objetivo bem escrito, resenha entediante do reverso, sinopse vã e falha do ocaso, de nada me valeriam sem algu'a inspiração. Ex-cultura de massas, "livros e o luar contra a cultura", amor, baby blues, "muito azul em torno dele."

             Dormir nu e de janela aberta para melhor me banhar com a luz da lua quando cheia. Quando não, mirar estrelas feitas só para mim e a treva também há - sentir o vento percorrer o quarto, renovar o ar in cômodo.

             Minha casa não tem quase nenhuma porta, mas meu coração tem muitas meio inúmeras - quase todas fechadas. Vis - visco do vizir. As janelas, sempre úmidas e desunidas, são meus ohos. Sãos?

             Escrevo, sou fraco e forte ao mesmo tempo: gosto de dar a minha cara a tapa - sempre o mesmo lado desgastado, não ofereço a outra face.

             Escrevo de uma forma tão a bico de pena, que o barulho das teclas da minha máquinadeescrever para mim já representa uma certa tecnologia.

    alusões à . Caetano Veloso . Bob Dylan . Sérgio Britto



    Escrito por Matheus Alamedas às 5:59:17 PM
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    Ta-hi (Pra você gostar de mim)

            Frias são as coisas nas quais eu piso, frio. Coisas que ingiro. Coisas que engulo e depois vomito. De uma forma ou de outra, vou por aí. Tomando, sempre. Ultra-eu? Nunca-tu! Nunca-nós. SuperEU. Superoito. Superoutro. Otto e mezzo. Saio daqui carregado ou vou tropeçando nestas pedras. Vexame ambulante. Avante! Avante! E o horizonte, tal qual meu coração descompassado, cada vez mais vão, cada vez mais distante.

            Minuano gelando, e eu escutando as pessoas cantando do lado de fora de mim. Às vezes viver, para mim, é como se eu estivesse dentro de um cinema contemplando a tela. Como num filme sem fim. Me distancio e prefiro não participar. Para não atrapalhar a ordem natural da cena. Se alguém for afinado o suficiente para cantar algo que me chame, eu vou e canto junto.

            Você que não avalisa a possibilidade do que eu tenho a dizer ser mais importante do que você tá dizendo, continue surdo (a) como todos. Eu, continuo insistindo em interromper em voz baixa.

             Assistir a tudo impassível, distante. Vento gelado que sopra vezenquando a sudoeste.

             Tudo já foi escrito? Tudo já foi descrito? Devidamente catalogado? Eu tenho mesmo que inventar alguma novidade? Ou destruir as que já foram inventadas?


    [Cada parágrafo foi escrito num momento de uma mesma semana que passei em Lavras Novas, e, se desenvolvidos, poderiam originar textos completamente diferentes e talvez muito bons. Como minha paciência ultimamente anda quase tão escassa quanto meu tempo, resolvi publicá-los assim mesmo para esvaziar a memória do celular onde os escrevi.]



    Escrito por Matheus Alamedas às 4:32:46 PM
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    Para Pessoa Bárbara Altamente Inspiradora

            "E, nesses dias tão estranhos, fica a poeira se escondendo pelos cantos", arranhando entre outras coisas, minhas narinas, meus discos e minha escrita, cada vez melhor, cada vez mais rara, cada vez mais mel. Liquida segredos. Ainda que no adiante haja previsão de maca & ressaca homéricas. Hoje, quando a gente se despediu, deu vontade de chorar como há muito eu não chorava. Mas reprimi. Chorinho, eu reprimo porque é limpo, salgado feito mar. Gozo e vômito, não.

    citação . TV, Legião Urbana



    Escrito por Matheus Alamedas às 8:44:07 PM
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    Microcontos de Natal

     

    MAIS UM PONTO DE NATAL

     

             - Nossa... Desta vez o tombo foi feio, hein()

             - Minha testa tá sangrando, ai...

             - É o que acontece quando a gente se corta, querido...

             - Será que não dá pra improvisar um curativo() Faltam seis minutos para a meia noite... A comida parece estar tão gostosa...
             - Acho que não. Pode infeccionar. Melhor ir logo pro hospital.

             Algum tempo depois, assistindo à Missa do Galo pelo televisor da sala de espera:

              - Ótima idéia sua dar um skate como presente para o nosso filho, querido.

     

    PELO TELEFONE

     

                - Não precisa de muito. Eu só quero que você esteja aqui.

                - Mas como vou participar do amigo oculto se não comprei presente e já está em cima da hora()
                - O presente é sua presença, filhinho...

     

    BUMERANGUE

     

            - Mas mamãe... Você me deu uma boneca sem braço de presente...

            - Bem parecida com aquela que você doou ano passado para a campanha de natal do nosso bairro, não acha()

     

    VIRTUAL INAUDÍVEL

     

              Trabalhar durante o natal não era bom, mas a escala de sua empresa era irreversível. De qualquer forma viria uma folga no reveillon quando poderia estar junto de seus queridos amigos e de sua família, que estavam longe naquele momento.

                Por hora, com a ajuda de câmeras, mouses e monitores, se aproximariam o suficiente, lá pela meia noite, para trocarem votos de felicidades e boas festas.

     

    MULTIPLICANDO O PÃO

     

              - Achei um pedaço de pão naquela lata de lixo. Quer a metade()

              - Claro... Mas tem mais um camarada aqui morrendo de fome...

              - Então o repartiremos em três partes iguais.

     

               E em todos os cantos deste mundo cada vez mais populoso, diálogos casuais e desencontrados se entrecruzam e, mesmo que não seja intencional, eles giram em torno de um mesmo propósito: um sentimento de nascimento diante do inesperado.



    Escrito por Matheus Alamedas às 3:50:10 PM
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    Tá desamarrado, não vai te derrubar

            Hoje me lembrei dum tempo em que não amarrava os cadarços. Lembro com muito gosto da forma quase inocente com que os adultos me olhavam, reconhecendo a mesma desatenção infante que outrora eles mesmos deviam experimentar sem consciência disto, e me avisavam numa doce represália severa entre desconhecidos, um maior que o outro:

             - Olha o cadarço desamarrado! Ele vai te derrubar!...

             Eu, ainda em minha insolência virgem de quase tudo, muito maior que a arrogância sutil que carrego hoje, virava a cara, dava de ombros, tava nem azul pr'ocês.. Era como se eu assumisse a minha leveza diante da transição do meu mundo lúdico infantil para o mundo real dos maiores, nem tão leve assim pois fui um pré-adolescente fofíssimo, em contrapartida à provocação que me fazia naturalmente o peso do mundo adulto, que era o que caía facilmente. Ou melhor: o mundo adulto, para mim, era o que não caía nunca, porque tinha medo de cair. E isto, naquela minha idade, era o pior que havia. Melhor cair e experimentar o gosto da queda, do que não cair e nunca saber como ela pareceria. Melhor mesmo era experimentar o risco, independente do preço a se pagar depois. Depois , seria a velhice.

             Agora, acho, espero, também eu sou um adulto. Mas, embora as enfie com um nó cego para dentro dos sapatos para não deixá-los soltos, ainda não amarro as cordas de fiapo. Já quase não uso all star, antes pé ante pé de todo dia. Tampouco uso mais aparelho corretivo nos dentes chupando pirulito, lolito que quase fui um dia mas nunca de fato quis ser. A idade da razão estaria chegando para mim?

              Talvez... Mas pelo menos nem a gravata nem as cuecas me apertam certas partes vitais. Não as uso.



    Escrito por Matheus Alamedas às 2:15:31 PM
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    [Para Tulipa Ruiz]

    toda punk boca vermelha
    canto de sereia lançadora de enleios
    [Yellowphante Fields Forever]
    and ever and ever and - haver

    beat, extra-eu - superoutro
    links líquens lee
    let it bed otto e mezzo

    escrever como quem desenha
    e pinta
    que o melhor que há na vida
    é pintar

    uma viagem boa de cegonha
    uma bad trip, leoa aliciada

    motores dores odores
    rimas fáceis alheias
    ao bom senso gosto
    gesto penso quieto

    giro sustos
    gero surtos

    torro o mágico de araque
    que derruba
    por terra
    a saideira

    embarco
    numa

    arco em
    tua
    canoa

    que só cada pessoa
    encena (& é dona)
    (d)o próprio nariz

    [concebido numa mesa de bar, com vontade de fumar, à meia luz, na companhia de Heineken e Luana, num show de Érika e Tulipa]



    Escrito por Matheus Alamedas às 5:54:00 PM
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    Maquinara

            Se estava em local público em que se ia para comer, conversar e beber, ainda que rodeado de amigos muito caros, nem sempre se agradava. A música ambiente era uó. Tinha até uma vitrolinha portátil, MPP (Música Portátil Pulsante), mas o volume máximo dos seus fones de ouvido nem sempre era superior ao barulho da música de baixo calão e ao barulho das gentes expansivas que costumam frequentar este tipo de ambiente.

             O que lhe restaria, então? Escolher muito mais o retiro, o auto-exílio, degustando aquela suculenta solidão que se servia ao recusar duvidosos convites para pseudodiversões supostamente garantidas. Com pantufas, robe e uma caneca com meio litro de chocolate fumegante, ao lado da vitrola de sua avó, cantava alto as músicas de empoeirados LPs, lendo as letras líricas atenciosamente, inspirando-se, divertindo-se descomedidamente discreto.



    Escrito por Matheus Alamedas às 1:21:59 PM
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    À Milanesa

    Meu pezão espraiando-se dentro d'água gelada
    Logo após, envolvido pela quente terra branca - vulgo areia de água doce.

    Meu pezinho de bolinho à milanesa.



    Escrito por Ornitorrinco Junkie às 5:57:54 PM
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    Das Letras

            São Thomé dos caminhos desconhecidos das saídas triunfais das trilhas de terra fininha vermelha das trilhas sonoras das pedras dos cachorros de pelo brilhoso das catarses renovadoras dos atendimentos emergenciais dos risos fugazes das gargalhadas que ecoam dos ecos das vassouras das bruxas dos animais curtidos nas cachaças dos beatles dos besouros dos extraterrenos dos intraterrenos dos cavernosos dos leitores de Clarice dos fãs de pós-punk dos hipsters que ainda não chegarão a assistir Hair mas chegarão da cerva da erva da água límpida que passarinho bebe e também da outra água que perde um pouco da sua transparência com mel ou limão ou ambos do vinho seco misturado ao tinto dos seres elementares dos odores das folhas das lendas do turbilhão do torvelhinho do redemoinho do cão de nós que fomos da gente que vai desta canção de coração



    Escrito por Ornitorrinco Junkie às 2:49:20 PM
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    Das Pedras

              O modo como me movo lentamente nas pedras escorregadias é parecido como o modo como me movo na vida, dentro dos universos que frequento. Escorrego sem cair - patinação em gelo áspero. A séria concentração estabanada e delicada a que me proponho. Propósito único: não me deixar quedar. A forma sutil, agressiva, eficaz e não-verbal com que me comunico com a natureza que me interessa, ou seja, a dos homens, não tem palavras. Isto aqui é só distração consciente perto daquilo.



    Escrito por Ornitorrinco Junkie às 12:06:07 PM
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    Em Oliveiras [Pontue como quiser]

    na madruga de cerração
    quem não fuma concretiza
    o sonho ideal reprimido
    de soltar fumaça pela boca



    Escrito por Ornitorrinco Junkie às 4:13:28 PM
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    hai-kai #24

    aos meninos
    mino mimos
    clandestinos



    Escrito por Ornitorrinco Junkie às 5:08:15 PM
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    Pode acreditar [Verso Encruzilhado]

    São Thomé
    Me Chapou
    Das Letras
    De Cara



    Escrito por Ornitorrinco Junkie às 3:35:35 PM
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    Anagrama

    Nem sei direito
    Se partir seria solução
    Ir e voltar e ir e voltar e ir e ir
    Tem me deixado exausto

    Eu queria mesmo era parar dentro dum espaço amplo
    [Avesso de paletó de madeira]
    E me mover eternamente etéreo
    Dentro do tempo templo
    Desta ilha que desconheço
    :
    Eu
    & os monstros que invento.



    Escrito por Ornitorrinco Junkie às 1:48:08 PM
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    Na condução

            Viver o ocaso com a mesma intensidade da ventura sem se deixar quedar. Não se deixar abalar nem pela alegria, que passa, nem pela tristeza, que também passa. Ter um termo de conduta, e somente conforme ele caminhar, independente da estrada que se resolver escolher à revelia do instante. Ter ritmo, ter passo firme como aperto de mão entre homens. Sem perder, no entanto, a flexibilidade. Andar é balé de improviso, estreia contínua. Entranhar-se no cotidiano sem deixar de flanar, flabelar, reinventando-o continuamente. Reinventar - tarefa obrigatória de ser humano.



    Escrito por Ornitorrinco Junkie às 4:10:00 PM
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    Poema?

    Outra vez
    Nesta mesinha redonda:
    Extremo oposto -

    Antes noite & vodka
    Agora manhã e & café
    Agora cabelos molhados & vento frio

    Limpo meu coração
    De qualquer Efestião



    Escrito por Ornitorrinco Junkie às 4:02:17 PM
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    O Terrível

    Sou da pá virada
    Eu sou de amargar
    Eu sou eu
    Da cabeça aos pés

    alusões à Waly Salomão, Luiz Melodia e Roberterasmo



    Escrito por Ornitorrinco Junkie às 10:51:11 AM
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    O Leite

            Ultimamente tenho escrito mais - teta intumescida prestes a amamentar. Fazer é sempre o mais importante. Enunciar o que não pode ser enunciado. Gritar e abrir a boca quando der vontade. Engolir só se o gosto for bom. Mandar ver a todo momento. Não se espelhar em ninguém. Mas beber, que da fonte só brota líquido porque há uma boca que bebe, sorve e bochecha, para depois cuspir. Sem filtro.



    Escrito por Ornitorrinco Junkie às 6:46:49 PM
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    Ovo do Novo

    - E as novidades?
    - Muito antigas!...



    Escrito por Ornitorrinco Junkie às 1:44:53 PM
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    mero remo

    remo -
    mero jogo de palavras
    lavra in útil
    larva in conserva
    lata & tala
    tala & lata
    vício cível
    Crível vencível
    in
    on

    voltar ao aprendizado do alfabeto
    começo do "aqui cremos"
    início de alfabetização

    versos não são meras linhas
    versos são remos que lemos

    Respeitar as Encruzilhadas!
    Respeitar as Encruzilhadas!
    Respeitar as Encruzilhadas!



    Escrito por Ornitorrinco Junkie às 1:31:22 PM
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    Uivos de Peritas

             Outra vez nesta mesinha redonda: extremo oposto - antes noite & vodka; agora manhã e café e cabelos molhados e vento frio.

             Limpo meu coração de qualquer Efestião.



    Escrito por Matheus Matheus às 9:46:32 AM
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    Deus Vos Salve Esta Casa Santa [em memória de Torquato Neto e Ana Cristina César]

            Caco de vida, cabo do medo. Minha vida: minhas joias preciosas que vão perdendo o valor. Para os outros, somente para os outros. Ares vulgares aprendi a respirar sem, necessariamente, compactuar com  a falta de perfume. A postura! Atenção para a postura! O público paga é pelo frescor. Respiro entediado. Billy Elliot transgredido que sou, tento não perder a leveza. Tento praticar o meu ofício sem me preocupar muito bem se algum dia ele funcionará como ganhapão ou não. Mas o mundo às vezes pesa.

            - Com licença, por favor. Você poderia abaixar só um pouquinho o volume desta tua maldita máquina de escrever? É que está quase na hora dos cães do vizinho uivarem e eu preciso escutar...

            - Não tem como abaixar o barulho das teclas, não senhora. Mas eu posso parar de escrever. Continuo amanhã, não tem problema. Continuo amanhã. Não vai ser a mesma coisa, mas agora já não faz muita diferença.

             - Ah... Me desculpe. Com licença, me desculpe. Foi engano...

             - Agora já não faz muita diferença mais. Eu me desconcentrei de mim mesmo e nem me lembro bem o que tava escrevendo. Minha memória é pouca.

             Direi cada vez menos. Escreverei cada vez mais. Na medida do impossível - quando der. Quando for conveniente não, porque não escrevo por conveniência. Quero viver, ao invés de sobreviver. Eu: de mãos macias e abraço partido. De viés. Eu: riso torto feito careta e gargalhada boba feito soluço. Gestos irreversíveis.

             Ternura e paz? Jamais.

              EXTRA! EXTRA! : Artista completo voou pela janela esquecendo-se que não tinha asas. Não aguentou o peso dos próprios versos e quis dar um rolé pelo ar. Bravo e corajoso! Não fugiu de nada - encarou a janela do apartamento como uma vida toda branca pela frente. Sem nada: descanso tropical. Ninguém percebeu a massa sangrenta esborrachada no chão até o cheiro podre de morte começar a incomodar. Estavam muito ocupados com o resultado do jogo do braZiL.

    texto . matheus matheus
    alusões . stephen daldry e pedro almodóvar
    citações . Non, Je Ne Regrette Rien; Bailarina; Sereníssima; A Teus Pés; Deus Vos Salve Esta Casa Santa [Michel Vaucaire / Matheus Matheus / Renato Russo / Ana Cristina César / Torquato Neto / Caetano Velloso]



    Escrito por Matheus Matheus às 4:24:27 PM
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    A Palo Seco

    Um tango argentino
    Me vai bem melhor
    Que um blues.

    João Cabral: sem música.
    Belchior: sem pauta.

    Eu: sem dentes.



    Escrito por Matheus Matheus às 12:34:23 PM
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    Na Batucada da Vida

            De cachaça em cachaça vou vivendo, em meu ritmo cambaleante e disparatado. Pejado de poeira. Da Heineken e do Bukowski nosso de cada dia!



    Escrito por Matheus Matheus às 4:11:21 PM
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    :

             Quanto menos notoriedade eu tiver, mais liberdade terei para criar. Não quero fama, valeu, muito obrigado pela oferta. Agora, ser lido,aí, já é outra história. Isto quero sim. E muito!



    Escrito por Matheus Matheus às 7:36:26 PM
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    Tudo

                Eu que, além de ser eu, sou meu pai e sou meu filho, e também meu irmão e meu amigo e meu inimigo e aquele que me é desconhecido. Eu que acendo a brasa de um cigarro, fumo até a guimba e apago. Eu que fico dentro de mim a maior parte do tempo mas uma hora saio para um breve passeio. Eu que flutuo: apogeu. Eu que caio: declínio. Eu que só me ganho quando me perco. Eu que levo tombos horríveis mas não me fraturo. Eu que não saio no braço com ninguém mas entro com a palavra abundante e, para muitos, irritante. Eu que me esqueço do todo e me recordo apenas de fragmentos - minha memória aos pedaços, bem como a forma como escrevo. Eu que me despeço chorando porque sei que quando retornar estarei mudado. Eu que tenho o riso bobo parecido com soluço. Eu que quando me emociono faço o possível para que as lágrimas não transbordem - e este esforço é o brilho nos meus olhos. Eu que encaixo minha visão nestas imagens fixas ou móveis, encaixo minha mão na caneta tinteiro e encaixo nestas linhas as palavras. E antes destas frases serem frases foram sentimentos, pensamentos, acontecimentos que vivi, e também sonhos, pesadelos, alucinações que tive. O fácil não interessa - o fácil é falso. Beleza. Terror & beleza. Terror. Eu que nem sempre me encaixo onde deveria, mas que faço o melhor que posso com a minha exuberância de junhos acumulados.

    texto . matheus matheus com citação de Sereníssima de Renato Russo



    Escrito por Matheus Matheus às 7:21:44 PM
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    ulaiê

            Uma ventura promissora encobre mil desonestidades miraculosas? Vícios são muletas? Hábitos são determinismos imutáveis? Hábitos apenas crescendo... Como vermes, como pestes... Nas vitrines mais vitrines - em cada credo uma ilusão. Tem gente que não fala a palavra, mas falta de sorte é azar. Ó horizonte reluzente! Ó horizonte nebuloso! Esperar bonança? Ambicionar sucesso? Melhor não... Apenas paz. Um pouco de paz. Com licença, por favor. Me desculpe, deixa eu ir. Vamos lá! Vamos lá! Que o sol esquenta a gente...

    texto . matheus matheus
    alusões . john ulhoa



    Escrito por Matheus Matheus às 5:11:52 PM
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    Deixa, Star

    para Antonio Cícero

    Gosto de ser. Estar nem ligo. Deixa. Ser star nem quero. Obrigado, não. Não tenho vocação para aparecer. Quanto às minhas letras, lavro, à meia luz, inebriado de aspereza e leveza. Ao som da meia voz da tua irmã, que vale por duas cordas vocais: a voz que sai da boca dela, explícita gata implícita; e a sua, através da caixa de som, observando os fios, advinhando naquele emaranhado caótico de eletricidade, um harmônico tecido fino. Comigo, que ouço, três. Menage telepática, via de mão única, bronha sobremáquina. Andar pelas ruas anônimo, vezenquando flertar. Só fazer o que der prazer.



    Escrito por Matheus Matheus às 3:54:30 PM
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    Sobre O Amparo De Ter Uma Voz Para Ler O Que Escrevo

    Para Amparo

     

    Chega na hora certa
    Sempre pontual
    Hora de linha aberta sim
    Dar vida a um texto meu não é coisa fácil
    Cada sílaba bem pronunciada
    Cada vírgula, ponto e travessão respeitados
    Nada sendo atropelado

    Ler em voz alta é respirar o mesmo ar de quem escreveu

    Ah... se todo mundo me lesse assim
    Meu munduniverso seria um contínuo fluxofloema

    Sem palavras para agradecer



    Escrito por Matheus Matheus às 2:22:29 PM
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    40 Anos da Biblioteca Municipal de Mateus Leme

            Em função das comemorações dos 40 Anos da Biblioteca Municipal de Mateus Leme, ocorrerá no dia 10 de Maio, a partir das 18 horas, em frente à Biblioteca, um evento gratuito e aberto à toda a população, com apresentação da Banda Municipal de Mateus Leme, sarau de poesia infantil, exibição de curtas-metragens e performance da poeta Ana F. Também haverá premiação dos vencedores do 1º Concurso de Poesia Infantil e de Curtas-Metragens produzidos pelas escolas locais.
             Minha colaboração vai em forma de um texto que escrevi em homenagem à escritora local Irene de Melloneves. Em breve, este texto estará por aqui.
             Ainda dentro das comemorações, haverá durante todo o mês de Maio, durante o horário de funcionamento da biblioteca, a exposição "Raízes da Terra - Literatura & Arte", com textos e livros de escritores de Mateus Leme. Prestigiem!



    Escrito por Matheus Matheus às 12:18:40 PM
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    Morro Velho [para Ana F., Rodrigo e Leopoldina]

    No peito
    Uma fincada
    De viola
    Ao invés
    De enxada



    Escrito por Matheus Matheus às 5:41:04 PM
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    Bichinho do Sono

            Todo dia, quando anoitecia, Nicolás queria continuar a se divertir. Bom mesmo seria ir para o Japão, onde já era dia mesmo quando noite se fazia. Nicolás era bem ao contrário de sua amiga Lóri, que se pudesse ir para lá seria de manhã, quando Nara ri, para dormir mais um pouquinho bem tranquila. Caso, claro, o recinto tivesse isolamento sonoro.

    texto . Matheus Matheus com citação de Lulina, Juliângela e Kassim

    assista a Bichinhos do Sono:
    http://www.youtube.com/watch?v=GAI60n3wvJY

    http://www.youtube.com/watch?v=hpZQDhy3h30



    Escrito por Matheus Matheus às 2:07:59 PM
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    Nos Arco-Íris

            Mais uma vez escutando Thom Yorke no crepúsculo. Bebendo nus arco-iris. Iris embebedando-se de horizontes. Tristeza ou melancolia em mini-mins? Segunda opção, desde que eu era curumim. Sagrado pra mim é não me fazer de trouxa. Os outros que achem que me façam. O sagrado em mim: me fazer. Duplo sentido - eu me sou. Eu me fiz precocemente e continuo me fazendo. Isobel, Kika, Pagu, Wilde, Genet e Marinheiro da Lua Crescente soltos dentro da mesma cela. Lua cheia em vão.



    Escrito por Matheus Matheus às 5:31:36 PM
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